Nos últimos anos, medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes ganharam grande visibilidade. Popularmente chamados de “canetas para emagrecer”, alguns desses medicamentos atuam em mecanismos hormonais envolvidos no controle do apetite, da saciedade e do metabolismo.
Mas existe um aspecto importante que nem sempre recebe a mesma atenção: esses medicamentos também podem provocar efeitos no aparelho digestivo.
Náusea, vômito, diarreia, constipação e desconforto abdominal estão entre as reações relatadas com medicamentos dessa classe. Por isso, o tratamento não deve começar apenas porque determinado medicamento se tornou popular ou funcionou para outra pessoa.
Antes de iniciar, é importante passar por avaliação médica e conhecer os possíveis efeitos do tratamento.
O termo é popular, mas reúne medicamentos diferentes.
Entre eles estão fármacos que atuam sobre o receptor de GLP-1, hormônio relacionado, entre outras funções, à saciedade e ao controle metabólico. A tirzepatida apresenta ainda atuação sobre receptores de GIP e GLP-1.
Também é importante entender que nem todo medicamento dessa classe possui exatamente a mesma indicação.
No Brasil, existem produtos registrados para tratamento do diabetes tipo 2 e outros com indicação aprovada para controle do peso em determinados grupos de pacientes. A indicação depende do medicamento e das características clínicas de cada pessoa.
Por isso, utilizar uma “caneta” simplesmente com base no nome do princípio ativo ou na experiência de outra pessoa não é uma forma segura de conduzir o tratamento.
A ação desses medicamentos não acontece somente sobre a sensação de fome.
Alguns deles interferem no funcionamento gastrointestinal e podem tornar o esvaziamento do estômago mais lento, além de modificar a ingestão alimentar e a sensação de saciedade.
Por esse motivo, efeitos gastrointestinais estão entre as reações adversas mais observadas durante o tratamento com agonistas de GLP-1. A Anvisa destaca que eventos gastrointestinais são frequentes com medicamentos dessa classe.
Os efeitos variam de pessoa para pessoa e também conforme o medicamento utilizado.
Entre as manifestações gastrointestinais relatadas estão:
náusea;
vômito;
diarreia;
constipação;
dor ou desconforto abdominal;
sensação de estômago muito cheio;
indigestão;
azia ou refluxo em alguns pacientes.
Documentos oficiais relacionados à semaglutida e à liraglutida, por exemplo, descrevem náusea, vômito, diarreia, constipação, dor abdominal e outros sintomas gastrointestinais entre as possíveis reações adversas.
Esses efeitos não acontecem da mesma maneira em todos os pacientes e não significam, isoladamente, que o tratamento precise ser interrompido.
Quando sintomas aparecem, entretanto, eles devem ser relatados ao profissional responsável pelo acompanhamento.
Não.
Embora sintomas gastrointestinais possam ocorrer durante o tratamento, não é adequado considerar qualquer intensidade de dor, vômito ou mal-estar como uma consequência inevitável que precisa simplesmente ser suportada.
Sintomas persistentes podem dificultar a alimentação e a hidratação e precisam ser avaliados.
O tratamento medicamentoso da obesidade deve fazer parte de uma estratégia individualizada. A escolha da medicação, sua indicação e os ajustes necessários dependem de avaliação clínica e acompanhamento profissional.
Sim.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso de medicamentos agonistas de GLP-1, especialmente diante do uso inadequado. A Agência orienta que pacientes procurem atendimento urgente diante de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e estar acompanhada de náuseas ou vômitos.
Isso não significa que todo paciente que utiliza esses medicamentos desenvolverá pancreatite. A própria Anvisa informa que o alerta não alterou a relação entre benefícios e riscos quando os medicamentos são utilizados dentro das indicações aprovadas.
O ponto principal é saber reconhecer quando um sintoma deixa de ser um desconforto esperado e passa a exigir avaliação.
Sim.
Antes de iniciar o tratamento, vale informar ao profissional sobre sintomas e diagnósticos anteriores, principalmente se a pessoa já apresenta:
náuseas ou vômitos frequentes;
refluxo importante;
sensação persistente de estômago cheio;
dor abdominal recorrente;
constipação importante;
episódios frequentes de diarreia;
histórico de pancreatite;
outras doenças do aparelho digestivo.
Essa informação ajuda o médico a avaliar os riscos, benefícios e alternativas disponíveis para aquele paciente.
Também é fundamental comunicar todos os medicamentos utilizados e não iniciar, aumentar, reduzir ou interromper doses por conta própria.
Comprar e utilizar sem acompanhamento pode aumentar os riscos
O crescimento da procura por esses medicamentos também levou a Anvisa a ampliar medidas voltadas ao uso seguro dos agonistas de GLP-1 no país. Atualmente, a compra desses medicamentos em farmácias e drogarias brasileiras está sujeita à retenção da receita.
Em 2026, a Agência voltou a reforçar que os medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras devem ser usados de acordo com as indicações aprovadas e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
Mais do que uma exigência formal, esse acompanhamento permite observar a resposta ao tratamento e identificar possíveis efeitos adversos.
Antes de iniciar, converse com seu médico
Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade podem ter indicação e benefícios importantes para pacientes selecionados. Mas a decisão de usar uma dessas medicações não deve ser baseada apenas em tendências das redes sociais ou no resultado obtido por amigos e familiares.
Cada organismo responde de uma forma.
Avaliar o histórico de saúde, as condições associadas, os sintomas gastrointestinais existentes e os medicamentos já utilizados faz parte de uma decisão mais segura.
Náuseas, alterações do intestino, dor abdominal ou outros desconfortos não devem ser ignorados quando são intensos, persistentes ou diferentes do habitual.
A Gastrocenter conta com atendimento em Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, além de diferentes métodos para investigação do aparelho digestivo.
Se você está considerando iniciar o tratamento ou já utiliza uma dessas medicações e apresenta sintomas gastrointestinais, converse com o médico responsável pelo seu acompanhamento.
Emagrecimento e saúde precisam caminhar juntos, e conhecer os possíveis efeitos do tratamento também faz parte de uma escolha responsável.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, prescrição ou acompanhamento médico individualizado.